Educação Sexual nas Escolas

domingo, 16 de agosto de 2009
0 Portas LEScancaradas
Ora, parece que finalmente se decidiu implementar a educação sexual nas escolas portuguesas. Aplaudo hoje esta decisão, provavelmente acompanhada por muitos outros pares de mãos; assim como aplaudia os que defendiam a educação sexual há 10 anos. Acho que aí, até fazia eco de tão pouca gente a formar o coro de aplausos. Isto anima-me, pois muitos dos que diziam há 10 anos que a educação sexual iria corromper os miúdos estão hoje tão satisfeitos como eu com esta lei. Afinal, uma pessoa pode mudar de mentalidade, não é necessário mudarem as pessoas para se fazer essa reciclagem.

Agora, atentando às finalidades da Educação Sexual, existem dois tópicos que se relacionam connosco:

Artigo 2.º
Finalidades
Constituem finalidades da educação sexual:
a) A valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa;
b) O desenvolvimento de competências nos jovens que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade;
c) A melhoria dos relacionamentos afectivo-sexuais dos jovens;
d) A redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis;
e) A capacidade de protecção face a todas as formas de exploração e de abuso sexuais;
f) O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais;
g) A valorização de uma sexualidade responsável e informada;
h) A promoção da igualdade entre os sexos;
i) O reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores e técnicos de saúde;
j) A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos;
l) A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.


Sim, acho óptimo e estou contente com isto. Mas não satisfeita. De modo algum satisfeita. E vou tentar explicar o porquê: considero que ensinar nestes moldes aos mais jovens algo que não é praticado na sociedade é , regra geral, pouco consequente.

Não acredito que a temática homossexualidade vá ser devidamente aprofundada, na medida em que o pessoal está mais preocupado com as DSTs e com as taxas de gravidez adolescente do que com "os sentimentos de uma minoria" (afinal, a temática homossexual continua a ser pouco prioritária, um embuste para as pessoas não se focarem no que realmente importa). Depois, quem vai abordar esta temática? Quem vai explicar aos miúdos o que é ser e estar na pele de um homossexual? Um professor antiquado de 50 anos, sem um único conhecido (assumidamente) gay? Ademais, todos sabemos que ainda não somos totalmente aceites pela maioria das pessoas, e que dentro do vasto grupo daqueles que não nos aceitam, há indivíduos com fortes, violentos sentimentos contra nós. Então, meus caros, como podemos assegurar que as pessoas que vão transmitir isto às crianças vão sequer ser a favor da igualdade entre homossexuais e heterossexuais?

Creio que, na melhor das hipóteses, estes miúdos vão ouvir em duas ou três aulas "há pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo e isso é normal", com o professor a passar seguidamente à frente, por não achar relevante, por não concordar com o que o programa lhe diz para ensinar ou, simplesmente, por não saber como explicar. O que vai ficar destas aulas? E digo mais, o que vai ficar quando os miúdos ligarem a TV, falarem com os pais, família, grupo de amigos e virem exactamente o contrário? Que as pessoas GLBT não são tidas como normais. Que não podem casar, que não podem adoptar, que não podem sequer dar sangue ou ir para a tropa. Que fora as organizações GLBT, temos muito pouco apoio e protecção contra a violência a que estamos sujeitos... Pergunto de novo, o que vai ficar? O que vai mudar?

Em suma, e focando-me no que a Educação Sexual nos pode trazer nesta luta, acho que até pode ser positiva dependendo de como, com que profundidade e por quem a informação será passada. Mas não basta. Queremos mais, muito mais. Queremos mudanças nas mentalidades das pessoas, não uma reciclagem com efeitos diminutos.

Eu sou hetero, mas comia-a...

terça-feira, 11 de agosto de 2009
Portas LEScancaradas
... a ela e à amiga.

Será moda? Será natural curiosidade? Será bom? Será mau? Será um avião? (lol ok, esta parte foi parva). Sempre preferi pensar que são simplesmente pessoas a explorar a sua sexualidade, com abertura suficiente para o fazer com pessoas de ambos os sexos. Pensava também que isto era bom, óptimo até, para pessoas de todas as sexualidades, na medida em que retira um pouco a pressão dos rótulos sobre as pessoas e as suas escolhas de parceiros.

Mas, minhas caras, atentem bem ao título - não deixa de estar bem patente o "eu sou hetero", de modo que o rótulo continua lá. Parece que há a necessidade de um refúgio na protectora muralha da heterossexualidade, ao admitir algo que possa ser desviante. É mais ou menos o mesmo de eu entrar num bar cheio de benfiquistas ferrenhos e dizer "o Vítor Baía é o meu herói, mas atenção!, eu sou benfiquista fanática!!!" Fugi da toca ao admitir algo diferente, pouco usual tendo em conta a minha orientação (clubística, neste caso) mas logo tive de afirmar a minha "pureza" ao clamar ser benfiquista. Uff, já mostrei estar acima de qualquer crítica em relação àquilo que sou. Que bom!, a minha posição na sociedade está protegida.

E por isto, ou talvez por trauma da minha própria experiência, hoje torço um bocado o nariz a este género de conduta. Estou a referir-me às mil e uma "eu sou hetero, mas comia-a" e "eu sou bi, mas só ando com homens", que povoam os nossos cafés, ruas, faculdades, empregos. Há uma distinção bem marcada entre o que, para essas mulheres, é possível alcançar com um homem e com outra mulher. Independentemente do prazer que podem ter numa relação com outra mulher, são demasiado cobardes para abdicar do seu pedestal de "hetero", protegido pela sociedade; da sua posição de "filhas/irmãs/sobrinhas exemplares", que seria deitada por terra; e do sonho da família perfeita, tradicional e feliz que alimentaram desde bebés. Ao dizer-se capazes de "ter qualquer coisa" com uma mulher, mas delimitando esse "qualquer coisa" a algo pouco sério, momentâneo, sem perspectivas de futuro ou escondido a sete chaves, estão a desvalorizar-nos (a nós, mulheres; a nós, lésbicas) infinitas vezes mais do que se dissessem "epa, olha, mulheres não me atraem". Estão a usufruir da magia especial que é ter algo com uma mulher, porque sim, é mágico e especial, (heteros e homens, desculpem esta parte!) sem dar nada em troca, sem pôr a cabeça na guilhotina como nós temos feito para defender aquilo que somos e aquilo que sentimos. Nas entrelinhas estão a escrever "isso não pode ser a sério. Não para mim, que estou acima dos desvios e só mereço o melhor. O melhor não podem ser vocês."

Para terminar, há um verso de uma música da Jessica Harp que, apesar de originalmente não ter nada a ver com a homossexualidade, me parece apropriado:

"(S)he's your straight face, I'm your make you laugh and cry to dance and to lie"

Ícones Lésbicos - Xena

segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Portas LEScancaradas
Anos 90. Série de sucesso internacional. Xena, a princesa guerreira. Homossexual. Assentava tudo no subtexto, nos pequenos detalhes. Pouco perceptível para o público conservador, demasiado óbvio para a enclausurada comunidade lésbica que se revia na personagem interpretada por Lucy Lawless e nela procurava a força necessária para a sua afirmação sexual. Xena era forte, dura, inteligente, sexual. Vemo-la, ao longo da série, envolvida sexualmente com homens, mas o seu afecto mais terno está destinado a apenas uma pessoa, a sua companheira Gabrielle. Esta era provavelmente a situação das lésbicas no armário dos anos 90, assim como a de muitas hoje em dia.

Numa época em que os tabus sexuais, em especial o relativo à homossexualidade, estavam ainda bastante marcados, esta série abriu muitas portas. Deixo-vos um vídeo no qual a produtora da série e Renée O'Connor (Gabrielle) dizem expressamente que a partir de uma dada altura o seu público alvo passou a ser a comunidade lésbica. Isto demonstra bem o poder, neste caso consumista e capitalista, é certo, que a comunidade homossexual tem.



quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Portas LEScancaradas

"Twilight stars Kristen Stewart (Bella Swan) and Nikki Reed (Rosalie Cullen) seem to have become more than BFF and have been seen together holding hands and kissing fueling the lesbian romance rumors."

Ora, alguém pediu, o Gaynio cumpriu. Les-make-it-straight: a colocar foufas no seu sapatão desde 2009! Bem-vinda ao Sindicato, irmã!

E um especial obrigado à "PassaIrina Sapata" pela excelente informação.

Anúncios...

domingo, 2 de agosto de 2009
0 Portas LEScancaradas
Porque uma imagem pode valer mil argumentos:




E porque um trocadilho bem conseguido é mais fácil de decorar do que um artigo de opinião: